Manobra Política no Congresso: Glauber Braga Escapa da Cassação em Votação Marcada por Acusações de Hipocrisia e Emendas
Brasília assistiu a mais um dia de alta tensão na Câmara dos Deputados Federal, culminando na decisão de suspender o mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), em vez de cassá-lo. A votação, que manteve o parlamentar no cargo por 318 votos a favor da suspensão e 141 contrários, expôs as fissuras políticas e as manobras de bastidores entre Governo e oposição.
O Caso e a Tentativa de Evasão
Glauber Braga, enfrentava o julgamento por agressão física a um militante dentro das dependências do Congresso. O incidente ocorreu após o ativista ter feito perguntas críticas de cunho pessoal ao deputado.
A tramitação do caso foi marcada por atos de resistência incomuns. Antes do recesso parlamentar, Braga realizou uma greve de fome para adiar a votação. Nesta semana, ele tentou impedir o processo novamente ao invadir a Mesa Diretora, sendo retirado à força pela Polícia Legislativa.
Acordo e Acusações de Emendas
O desfecho da votação foi resultado de um acordo costurado pelo Governo. A estratégia era converter a cassação — punição defendida pela oposição — em uma suspensão temporária do mandato.
A oposição não tardou a reagir. Surgiram acusações diretas de que o Governo estaria liberando emendas parlamentares para garantir os votos necessários para barrar a cassação no plenário.
O deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) subiu à tribuna e expôs a que chamou de "hipocrisia da esquerda". Ele lembrou que foi alvo de denúncia na Procuradoria-Geral da República (PGR) e no Conselho de Ética por uma fala comparando uma deputada a um "cosplay de pavão" — uma infração verbal de menor gravidade em comparação à agressão física.
Divisão da Bancada Capixaba
A votação evidenciou a divisão clara na bancada do Espírito Santo:
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Apoio ao Acordo Governamental (Suspensão): Votaram para evitar a cassação de Glauber Braga os deputados Dr. Victor Linhalis (Podemos-ES), Da Vitória (Progressistas-ES), Gilson Daniel (Podemos-ES), Helder Salomão (PT-ES), Jack Rocha (PT-ES) e Amaro Neto (Republicanos-ES).
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Oposição Ferrenha (Cassação): Defenderam a cassação e votaram contra o acordo de suspensão os deputados Evair de Melo (Progressistas-ES), Gilvan da Federal (PL-ES) e Messias Donato (Republicanos-ES).
A suspensão do mandato mantém Glauber Braga na Câmara, mas o debate sobre a ética, a hipocrisia política e o uso de recursos públicos para blindar parlamentares promete perdurar nos corredores do Congresso.
