O Eterno Retorno de Colatina: Matusalém e a Inesgotável Fé no "Ontem"
As eleições de 2026 ainda estão no horizonte, mas o cheiro de naftalina já começa a exalar dos bastidores políticos. Entre as articulações para as vagas na Assembleia Legislativa, um nome ressurge com a persistência de um eco que se recusa a dar espaço a novas gerações: Matusalém. O apelido, que remete à longevidade bíblica, não é apenas uma coincidência; é um retrato fiel de uma figura que atravessou décadas, mandatos e derrotas, mas que teima em não sair da prateleira eleitoral.
Com três mandatos no currículo e uma derrota recente na quarta tentativa, Matusalém é a definição clássica da "figura carimbada". Ele é o sobrevivente de um sistema que parece operar em um ciclo vicioso, onde os nomes mudam de cargo, mas os rostos permanecem os mesmos desde que as ruas de Colatina eram de terra batida.
O "Novo" com Cheiro de Guardado
A grande questão que paira sobre as mesas de café do Centro é inevitável: o que esperar de novo? Em um mundo que gira em alta velocidade, exigindo novas matrizes econômicas e soluções modernas para problemas urbanos, a aposta em veteranos soa como tentar consertar um computador de última geração com uma chave de fenda enferrujada.
Por que o eleitorado, especialmente o colatinense, se permite depositar o voto em Matusalém?
A resposta talvez resida no conforto do "conhecido". Para muitos, votar em figuras com essa longevidade é como assistir ao mesmo filme pela décima vez: você já sabe todas as falas, conhece os erros, mas tem medo de mudar de canal e encontrar algo que o obrigue a pensar. É a política do "ele já fez", mesmo que o que foi feito tenha sido há vinte anos e o custo de manutenção dessa "experiência" seja a estagnação do futuro.
O Voto como Máquina do Tempo
Enquanto Matusalém permeia o imaginário do eleitorado, grupos de apoio trabalham nos bastidores para vender o passado como se fosse uma promessa de futuro. Vendem a ideia de que a "velha guarda" é a única capaz de navegar nas águas turvas da política, ignorando o fato de que foram eles mesmos que ajudaram a turvar essas águas por tanto tempo.
O eleitor de Colatina está diante de um espelho retrovisor. Continuará acreditando que a solução para 2026 virá de quem já teve todas as oportunidades e viu o tempo passar? Em 2026, Matusalém estará lá, carimbando sua presença na urna. Resta saber se o voto do cidadão será um atestado de saudosismo ou um grito de independência contra o sistema que se recusa a se renovar.
