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O Abismo dos Privilégios: Cada deputado federal consome R$ 300 mil por mês e se cerca de 19 assessores.

Publicada em: 19/01/2026 14:56 -

O Panteão de Brasília e o Suor do Trabalhador: O Custo Milionário da Representação Federal Capixaba no Congresso.

BRASÍLIA – Com a aproximação do ciclo eleitoral de 2026, as ruas das cidades capixabas começam a ser palco de um ritual conhecido: o aperto de mãos caloroso, o café no mercado e o "beijo na testa" do eleitor. No entanto, por trás da imagem de proximidade construída nas redes sociais e nas caminhadas, esconde-se uma engrenagem financeira de proporções astronômicas que mantém a estrutura de poder dos dez deputados federais do Espírito Santo.

Enquanto o cidadão comum — o "Seu João" ou a "Dona Maria" — enfrenta a inflação nas prateleiras dos supermercados, onde itens básicos de consumo tornaram-se artigos de luxo inacessíveis para quem vive com um salário mínimo, os números que sustentam o mandato parlamentar parecem pertencer a outra realidade.

A Matemática do Privilégio

Cada uma das dez cadeiras ocupadas pelo Espírito Santo na Câmara dos Deputados representa um custo mensal que desafia a realidade econômica do trabalhador. Os números impressionam:

  • Remuneração: Um salário bruto de R$ 46 mil, que, somado aos auxílios, ultrapassa a barreira dos R$ 50 mil mensais.

  • Equipe de Gabinete: Cada parlamentar tem direito a até 19 assessores, com uma folha de pagamento que supera os R$ 150 mil por mês.

  • Cota Parlamentar: Uma verba de gabinete que oscila entre R$ 30 mil e R$ 70 mil mensais para custear viagens, combustíveis e divulgação.

Em termos práticos, a manutenção da bancada federal capixaba custa mais de R$ 3 milhões por mês. Se esse valor fosse distribuído diretamente, seria o equivalente a injetar cerca de R$ 39 mil mensais em cada um dos 78 municípios do estado.

O Elo Político: Emendas e Fundão

Para além dos salários e verbas, o poder dos deputados é amplificado pelo controle do orçamento. As emendas parlamentares tornaram-se a principal moeda de troca política. Frequentemente, esses recursos são destinados a prefeituras aliadas ou instituições que mantêm tratativas nem sempre republicanas, visando garantir o "curral eleitoral" para o pleito seguinte.

Quando a campanha oficialmente começa, entra em cena o Fundo Eleitoral — o "Fundão" —, irrigando as candidaturas com cifras bilionárias. Esse volume de dinheiro explica a intensidade das defesas em grupos de WhatsApp e redes sociais. Muitas vezes, o entusiasmo dos militantes não é em prol da inclusão social ou da melhoria do preço do arroz e do feijão, mas sim pela manutenção de uma estrutura de poder e mordomia que se sustenta sob o suor de quem produz.


 Inclusão Social ou Manutenção de Poder?

O discurso de "representar os anseios da população" soa vazio quando confrontado com a exclusão econômica nas gôndolas dos mercados. O prazer de saciar a fome com dignidade tornou-se um desafio para milhões, enquanto a elite política circula em gabinetes climatizados com verbas garantidas.

As andanças pelas ruas, que agora se tornam frequentes, buscam renovar a procuração para que esses mesmos nomes continuem gerindo um sistema onde o trabalhador arca com o custo mais alto do país, enquanto o representante desfruta de benefícios que o colocam em um patamar distante da realidade de quem lhe concede o voto. Em 2026, a pergunta que fica para o eleitor não é sobre quem dá o melhor abraço, mas sobre quem realmente está disposto a abrir mão de privilégios para baixar o custo da vida de quem produz.

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