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União da direita ou teatro das velhas guardas? Kassab e Hartung assombram aliança de prefeitos no ES

Publicada em: 23/02/2026 13:45 -

A "Renovação" da Direita Capixaba: Entre a Foto e a Desconfiança do Eleitorado Conservador

O tabuleiro político do Espírito Santo foi sacudido nos últimos dias por uma imagem que uniu os prefeitos Lorenzo Pazolini (Republicanos), de Vitória, Arnaldinho Borgo (PSDB), de Vila Velha, e Renzo Vasconcellos (PSD), de Colatina, ao lado do presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, e da primeira-dama de Colatina, Dra. Lívia Vasconcellos. A fotografia, estrategicamente disseminada nas redes sociais, tinha um objetivo claro: vender a imagem de um novo polo de poder, representando a "renovação" e a união de jovens lideranças de direita no Estado .

No entanto, a mensagem publicitária encontrou resistência onde mais importa: na base do eleitorado conservador. Longe de ser recebida como um marco de unidade, a articulação foi recebida com desconfiança e críticas por parte de eleitores mais fiéis ao espectro ideológico. O discurso de que ali está o "futuro da direita" capixaba esbarra na percepção de que, na prática, as rédeas do jogo ainda são conduzidas pela velha guarda política que opera nos bastidores.

A Sombra dos Antigos Sobre os Novos Caras

Para setores mais conservadores do eleitorado, a aliança costurada por Erick Musso e que agora conta com o PSD de Renzo Vasconcellos carrega o peso de parcerias incômodas. A principal delas é a presença implícita do ex-governador Paulo Hartung, agora filiado ao PSD , e do presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab.

Hartung, que tenta um retorno à cena política, é uma figura que desperta memórias amargas, especialmente por sua gestão durante a greve da Polícia Militar do Espírito Santo em 2017. A paralisação da corporação, que mergulhou o Estado em uma das mais graves crises de segurança de sua história, é um fantasma que assombra sua trajetória . Já Gilberto Kassab, conhecido por sua habilidade em acomodar diferentes espectros políticos em seu partido, carrega um histórico de polêmicas no tabuleiro nacional, o que afasta o eleitor que busca um discurso de pureza ideológica .

A crítica que ronda as rodas de conversa política e as redes sociais é direta: se a "nova direita" precisa se abrigar sob a sombra de Kassab e de Hartung, onde está a renovação? O eleitor mais conservador enxerga nesse movimento não uma união de ideias, mas um pacto de poder pragmático, em que as pautas liberais e os costumes ficam em segundo plano para acomodar interesses de grupos políticos tradicionais.

O PL na Moita: A Espada do Conservadorismo

Enquanto o grupo de Pazolini, Arnaldinho e Musso tenta se consolidar como a principal alternativa da direita ao governo de Renato Casagrande (PSB), há um elefante na sala: a indefinição do PL. Nos bastidores, a informação que circula é que o Partido Liberal ainda não lançou seu nome ao governo, e o mercado político aguarda esse movimento com apreensão.

A legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro possui um eleitorado cativo e fiel no Espírito Santo. Enquanto o PL não se posicionar oficialmente com um nome forte — que pode ser o senador Magno Malta ou até mesmo um palanque para a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro —, as demais candidaturas ditas "de direita" operam em estado de provisoriedade .

A avaliação nas ruas é clara: quando o PL enfim anunciar seu candidato, o eleitorado mais fiel e ideológico, que hoje refuta a imagem de Pazolini e Arnaldinho ao lado de Hartung e Kassab, deve migrar em bloco. Para esse segmento, votar em um candidato que precisa se aliar à velha guarda do PSD para sobreviver é trair a essência do conservadorismo. O risco para o grupo da "foto" é enorme: o que hoje parece uma demonstração de força pode se tornar um isolamento político, caso sejam ignorados pela base radicalizada.

O movimento dos prefeitos tenta vender a ideia de que o futuro já chegou, mas o passado pesa. A tentativa de emplacar uma narrativa de renovação esbarra na velha máxima da política nacional: os mesmos grupos de sempre continuam conduzindo o jogo. E, em um Estado de histórico volátil, a definição do PL promete ser o verdadeiro fiel da balança para saber se a direita capixaba terá um nome de consenso ou se dividirá o palanque — e os votos — em 2026.

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