O Reverso do Dia da Mulher: Um ano após denúncias de assédio na Prefeitura, vítimas enfrentam punições enquanto denunciado é recontratado com alto salário
INVESTIGAÇÃO | POR RÁDIO NOROESTE ES | 23 de março de 2026
O mês de março, dedicado mundialmente à celebração das conquistas e proteção dos direitos femininos, traz um sabor amargo para um grupo de mulheres em Colatina. Completa-se agora um ano desde que graves denúncias de assédio no interior da Prefeitura Municipal vieram à tona. No entanto, o desfecho do caso, sob a gestão do prefeito Renzo Vasconcelos, é apontado por familiares e observadores como um retrato da inversão de valores.
Recontratação e Salário de R$ 13 mil
Enquanto o processo segue sob segredo de Justiça, os movimentos administrativos dentro do Palácio Municipal chamam a atenção. O servidor denunciado, que chegou a deixar o quadro de funcionários no auge do escândalo, foi recentemente recontratado pela atual gestão.
Ocupando agora o cargo de Coordenador Executivo, o profissional recebe um vencimento de R$ 13.300,00. A decisão da prefeitura de reintegrá-lo com um salário de alto escalão ocorre após um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) interno que, segundo a administração, não constatou o assédio — conclusão que colide frontalmente com os relatos das denunciantes.
O Calvário das Vítimas e o Sofrimento das Famílias
Se para o denunciado o cenário é de ascensão financeira, para as vítimas o quadro é de devastação. Relatos obtidos pela nossa redação indicam que, em vez de acolhimento, as servidoras enfrentaram o que descrevem como "punições veladas" dentro da estrutura municipal.
Emocionada, a mãe de uma das vítimas desabafou sobre o estado de saúde da filha única. "É uma dor que não passa. Ver minha filha em estado de depressão, precisando de tratamentos psicológicos constantes enquanto quem causou isso volta a ganhar bem no governo, é desesperador", afirmou. As jovens agora buscam na Justiça comum as reparações que não encontraram na esfera administrativa da Prefeitura.
Presunção de Inocência e Silêncio
Em respeito ao princípio da presunção de inocência e ao segredo de Justiça que envolve o caso, o RÁDIO NOROESTE ES preserva a identidade do denunciado e das vítimas. Contudo, o contraste entre a política de valorização da mulher pregada em solenidades e a recontratação de um investigado por assédio gera uma nuvem de indignação no funcionalismo público colatinense.
Até o momento, a Prefeitura de Colatina limita-se a informar que seguiu os ritos legais no PAD. Enquanto isso, o "março das mulheres" em Colatina termina com um pedido de socorro de mães e filhas que sentem que a justiça, dentro da própria casa onde serviam ao público, lhes deu as costas.
